Videogames Dão Esperança a Quem Sofre de Esquizofrenia

Controlando a Esquizofrenia com jogos

A Esquizofrenia é um transtorno mental grave que afeta tudo desde como a pessoa se sente, como ela pensa e raciocina e como ela percebe a realidade e o mundo à sua volta. A Esquizofrenia não é tão comum quanto outros transtornos mentais, como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) ou o Transtorno Bipolar, mas seus sintomas são muito debilitantes.

A Esquizofrenia geralmente se manifesta em indivíduos com idade entre 16 e 30 anos. A Esquizofrenia Infantil existe, mas não é frequente. Os sintomas podem se enquadrar em 1 de 3 categorias: positiva, negativa e cognitiva. Sintomas positivos beiram a psicose e incluem alucinações e delírios. Os sintomas negativos são menos extremos e podem provocar respostas emocionais incomuns, como uma diminuição na sensação de prazer nas atividades cotidianas. Os sintomas cognitivos costumam ser os menos graves ou debilitantes e se relacionam, principalmente, à memória da pessoa. As pessoas que sofrem de sintomas cognitivos geralmente não têm episódios psicóticos. Um exemplo seria a dificuldade de se concentrar ou prestar atenção.

O Futuro: Videogames como Cura

Encontrar uma cura para a Esquizofrenia só será uma possibilidade real quando for possível identificar uma causa específica para todas as doenças ou transtornos. Por enquanto, o foco é voltado para o tratamento dos sintomas e para facilitar ao máximo a vida das pessoas que sofrem disso, em vez de um tratamento objetivando uma cura.

Drogas antipsicóticas, terapia comportamental, tratamentos psicossociais, cuidado especializado coordenado, todos são reconhecidos como métodos eficazes para o tratamento sintomático da Esquizofrenia.

Esses métodos são amplamente aceitos como muito eficientes, contudo, recentemente, uma novidade surgiu no campo: videogames.

As Propriedades Curativas dos Jogos

Já é sabido há muito tempo que jogar videogame provoca mudanças estruturais no cérebro. Os estudos demonstram que quando alguém está interagindo com um videogame, ocorrem mudanças nas regiões responsáveis pela orientação espacial, formação de memórias, habilidades motoras e planejamento estratégico. Isso se dá, sobretudo, porque os desafios incutidos nos videogames estimulam as partes do cérebro responsáveis por essas faculdades. Praticamente qualquer jogo pode estimular essas mudanças, de um jogo de quebra-cabeça como o Tetris, passando por um jogo de cassino como a Roleta, até um jogo de estratégia como o Minecraft.

Quando as respectivas pertinentes do cérebro estão empenhadas e estimuladas, mudanças sutis começam a ocorrer durante a formação dos novos padrões de pensamento. Por essa razão, o treinamento com videogame foi identificado como um campo de pesquisa fundamental no estudo de transtornos mentais como Esquizofrenia, PSPT e até mesmo Alzheimer e Demência.

O efeito que os videogames têm no cérebro, bem como os consequentes benefícios para a saúde mental do paciente, principalmente aqueles sofrendo de Esquizofrenia, é classificado na categoria de remediação cognitiva. Videogames, de fato, têm a capacidade de provocar mudanças físicas no cérebro ao longo de um período de tempo prolongado.

O Porquê de Videogames Funcionarem

Talvez não seja a primeira coisa que vem à mente quando pensamos no tratamento para um transtorno mental tão complexo quanto a Esquizofrenia, mas os videogames estão se revelando altamente eficientes como ferramentas de ensino para que os pacientes adquiram um melhor domínio de suas faculdades associadas à audição e fala, principalmente para quem sofre de alucinações auditivas.

O conceito básico é que o paciente aprenderá como regular certas partes do cérebro que regem a audição e a fala realizando exercícios básicos, como pousando um foguete espacial em um videogame simples. Isso graças à tecnologia de ressonância magnética em tempo real.

Isso ficou evidente durante um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College de Londres e da Universidade de Roehampton, também de Londres. O estudo, que foi recentemente publicado na revista científica Translational Psychiatry, envolveu 12 participantes que sofriam de Esquizofrenia. Todos os participantes sofriam regularmente de Alucinações Auditivo-Verbais e foram ensinados a regular certas partes do cérebro que regem as funções auditiva e verbal através de um videogame e do conceito do foguete espacial.

A dra. Natasza Orlov, pesquisadora-chefe do projeto, está plenamente convencida de que os experimentos de neurofeedback com ressonância magnética em tempo real podem desempenhar um papel funcional no modo como compreendemos as regiões do cérebro associadas às alucinações auditivo-verbais. Ela também acredita que isso esclarecerá se o cérebro pode ou não ser treinado para alterar certas atividades e respostas dentro do escopo dessas redes.

Os 12 participantes do estudo tiveram de realizar todo tipo de exercício mental ao longo de um período de duas semanas, utilizando a tecnologia dos videogames e o foguete espacial enquanto estavam dentro de uma máquina de IRM. Após 4 sessões de jogo ao longo do período de 2 semanas, cada um dos participantes foi capaz de inibir as alucinações auditivas causadas pela Esquizofrenia.

A conclusão do estudo sugere que realmente é possível controlar respostas auditivas, até mesmo aquelas associadas a um transtorno como a Esquizofrenia, com a ajuda da tecnologia dos videogames e que, no futuro, esse tipo de tratamento deverá ser utilizado com mais frequência.

Links de pesquisa:

http://www.bbc.com/news/health-43003378

http://www.huffingtonpost.co.za/2018/02/13/how-video-games-help-calm-Esquizofrenia-patients_a_23360348/

http://www.healthimaging.com/topics/molecular-imaging/neuroimaging/uk-video-game-study-calms-hallucinations-Esquizofrenia-patients

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