Cigarros tradicionais x cigarros eletrônicos

Woman vapingFonte: Unsplash Há várias décadas, os médicos tentam convencer os fumantes a largar esse péssimo hábito para a saúde, mas essa não é uma tarefa simples, tendo em vista que a nicotina presente no cigarro é tão viciante quanto a cocaína e a heroína, por exemplo. Para auxiliar os fumantes a abandonar o cigarro, vários métodos já foram apresentados, como sprays nasais, inaladores, pastilhas, e até mesmo remédios sob prescrição médica. Contudo, nos últimos dez anos, uma alternativa que ainda causa questionamentos e dúvidas é o cigarro eletrônico.

O que é um cigarro eletrônico?

O cigarro eletrônico foi inventado pelo farmacêutico Hon Lik, em 2003, em uma tentativa de criar uma opção ao cigarro menos danosa a saúde. Ele funciona como um dispositivo que consegue converter a nicotina diluída e outras substâncias, em vapor. Em poucos anos, o cigarro eletrônico se tornou amplamente popular em países como Estados Unidos, Japão e Inglaterra, mas o fato de utilizar a nicotina não o torna imune ao vício. No Brasil, a venda desse dispositivo é proibida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde 2009, pois por ser relativamente novo, ainda não existem dados que comprovem a fundo as consequências do uso contínuo do cigarro eletrônico. Entretanto, muitos brasileiros o utilizam pois é fácil encontrá-lo para vender em outros países.

Quais são os seus prós e contras?

No geral, a principal vantagem do cigarro eletrônico é o fato da composição do seu vapor conter um número inferior de substâncias prejudiciais a saúde, em comparação ao cigarro tradicional, que emite metais tóxicos, como arsênio, além de monóxido de carbono e partículas cancerígenas. Contudo, isso não significa que o dispositivo eletrônico seja inofensivo, pois ele também emite muitos compostos danosos. A quantidade dessas substâncias costuma variar de acordo com a marca do cigarro eletrônico. A imprevisibilidade a longo prazo do cigarro eletrônico é, sem dúvidas, a grande desvantagem do dispositivo. Uma parcela das pessoas que o utilizam já se queixaram de sintomas como falta de ar e dor de garganta, porém, ainda não existe uma explicação científica que justifique esses efeitos. Para completar, até o momento não foram desenvolvidos estudos consistentes analisando se a fumaça do cigarro eletrônico também faz mal para quem está em volta do fumante.

Quais são os riscos?

O fato de existirem várias marcas de cigarros eletrônicos, cada uma delas com suas particularidades, dificulta uma regulação ampla sobre o dispositivo, e consequentemente, um estudo científico que consiga avaliar com precisão os efeitos e os riscos desse tipo de cigarro. Contudo, é inegável que por conter a nicotina, o cigarro eletrônico também faz mal a saúde e pode levar ao vício por essa substância. Segundo parte dos especialistas, além de doenças pulmonares, o uso contínuo do cigarro eletrônico também pode levar ao diagnóstico de doenças cardiovasculares, devido ao caráter tóxico do vapor inalado. Essa hipótese foi levantada após estudos laboratoriais realizados com ratos, mas ainda carecem de uma comprovação mais formal e específica. Seja como for, os fumantes que quiserem se livrar realmente do vício devem optar por outras distrações ao sentir vontade de consumir a nicotina, como praticar uma atividade física ou se divertir com jogos de cassino online. An e-cigarette in useFonte: Wikipedia

Qual é a opção menos prejudicial para a saúde?

À primeira vista, o cigarro eletrônico certamente parece muito mais inofensivo, pois não cria uma nuvem de fumaça ao redor do fumante e não exala o odor característico do cigarro comum. Entretanto, esse dispositivo também possui muitas substâncias perigosas, como glicerina vegetal e propilenoglicol, as quais os especialistas já comprovaram como altamente prejudiciais a saúde. De acordo com o médico e professor da Universidade de São Paulo, Fernando Augusto Soares, quando comparados lado a lado, o cigarro eletrônico pode ser considerado como menos lesivo, mas é indiscutível que ambos representam grandes riscos a saúde humana, e é por essa razão que vários países optaram por não regularizar a venda do dispositivo, incluindo o Brasil.

E quanto as chances de desenvolver câncer?

As chances de se desenvolver câncer de pulmão através do uso contínuo do cigarro eletrônico existem, segundo estudos recentes. Um deles, realizado na Universidade de Birmingham e publicado na revista Thorax, destacou que o vapor inalado por quem utiliza esse dispositivo consegue debilitar as células responsáveis pela proteção dos tecidos do pulmão, o que aumenta os riscos do aparecimento de tumores na região. Esses riscos se tornam ainda maiores com o uso prolongado e constante do dispositivo, de acordo com algumas pesquisas já feitas em relação a esse tema. Sendo assim, os fumantes que desejam abandonar o cigarro tradicional por razões de saúde não devem substituí-lo pelo cigarro eletrônico, tendo em vista que o mesmo também apresenta perigos alarmantes, ainda que levemente mais brandos que o fumo comum.

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